
Doutor em economia, Cientista de dados, Professor @Insper, Pesquisa @SejaIDP, Sócio @AEDConsultingBR, membro @MensaBR. Divulgo ciência. Opiniões são pessoais.
Brazil, São Paulo
Joined July 2011
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Políticos propagam o ódio contra seus adversários e no dia seguinte estão de mãos dadas, aumentando os próprios salários, blindando-se de crimes.
Já os cidadãos, que via de regra não ganham nada da política, rompem laços e criam inimizades eternas para defendê-los. Preservem-se.
Era uma vez uma ditadura do judiciário.
Nessa estranha ditadura, dezenas de candidatos ao Senado tinham como pauta declarada o impeachment de juízes. Esses candidatos fizeram campanha normalmente, com financiamento público, com propaganda paga pedindo impeachment de ministros. Foram quase todos eleitos, e têm maioria para impichar um ministro. SE quiserem. Esse "se" é bem grande.
O eleitor desses senadores poderia estar pedindo para eles se mobilizarem pelo impeachment de Moraes desde já. Mas, pelo que vejo, estão preferindo chorar como se Flávio e seus aliados fossem coitadinhos sem poder algum, ou chorando como se Flávio tivesse sofrido sentença de prisão preventiva.
Tirar passaporte a pedido da PF não é uma sentença de prisão, 90% da população nem passaporte tem. Flávio poderia responder todas as investigações contra ele em liberdade por aqui e poderia provar sua inocência nos vários escândalos do qual é suspeito. Claro, se essa inocência existisse, se ele quisesse, e se ele tivesse coragem. Nunca teve nem terá. Fugiu porque ele é o que é.
Não é como se faltasse apoio para ele. Além dos 60 milhões de votos, o PL tem a maior bancada na Câmara e no Senado, mais muitos governadores. A coalizão do PL segue com um poder absurdo no legislativo independente do resultado do Flávio. O tal impeachment de ministros que essa gente prometeu só depende do Senado, nem o presidente nem a Câmara participam. Se eles achavam que conseguiam isso no sábado, eles continuam sendo capazes disso mesmo com a derrota de Flávio à presidência.
O que o eleitor dessas pessoas precisa ter claro é que esses políticos <não querem> realmente avançar um processo de impeachment de ministros.
Mesmo se existir uma vontadezinha ali no fundo, o problema é que ou eles mesmos ou os líderes partidários deles têm esqueletos no armário, logo são facilmente chantageados pelo judiciário. Por terem crimes já pendentes ou que seriam facilmente descobertos, não querem comprar essa briga. Poderiam talvez um dia fazer isso, mas teriam que ser basicamente forçados a isso. E a única força real que os empurraria nesse sentido seria o próprio eleitor.
No que depender desses políticos, a estratégia mais fácil é deixar o STF continuar seus desmandos. Depois, usam uma potencial retaliação só como ameaça para em troca obterem concessões em emendas, vista grossa do STF para o que ocorre no Congresso e outros privilégios. Em paralelo, culpam a presidência por problemas que seriam de responsabilidade deles resolver. Daqui poucos anos, usam a insatisfação popular geral para eleger mais gente com discurso fácil anti-STF. Uma fachada que eles sabem que não terá cobrança nem de resultado, nem de boa reputação do candidato.
Resolver o problema de um STF sem credibilidade não é prioridade para essas pessoas. Inclusive, Flávio rasgou elogios à Zanin quando Zanin foi sabatinado no Senado em 2023. Vale buscar esse vídeo se você não conhece.
Um STF com força e credibilidade reais seria capaz de investigar eles mesmos, e eles não querem mudar um jogo que tem sido altamente benéfico para eles. Estão passando uma rasteira nos eleitores deles com um discurso de enfrentamento na fachada, mas patético e covarde nas ações. E no que depender deles vão continuar fazendo isso.
Cai quem quer.
"não vou desistir do meu Brasil" (domingo)
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desisti do Brasil (terça)
Aliados de Flávio Bolsonaro são avisados de que ele saiu do Brasil
www1.folha.uol.com.br/coluna…
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relaxa eduardo eu tbm não vi mais meu pai depois que ele foi entubado, inclusive não tive nem oportunidade de ver o corpo dele depois que ele faleceu, tudo isso enquanto seu pai tava passeando de jetski, caçoando de vítimas da covid e negando vacina, acho que você sobrevive
Thomas Conti retweeted
Announcing three major scientific discoveries, one each in mathematics (harmonic analysis), computer science (complexity theory), and physics (quantum field theory).
AI starting to help us improve our understanding of the universe! openai.com/index/building-sc…
Vou postar depois um thread explicando o nosso método, com algumas ilustrações. O nosso método não é bayesiano nem Monte Carlo.
É um modelo de transferência de votos. 🧵 1/4
Agora é cravar aquela assinatura da Revista Piauí e colocar como entrega para presente para Flávio Bolsonaro
Thomas Conti retweeted
O Brasil elegeu um número recorde de parlamentares e governadores de direita. Até em Pernambuco, quem venceu foi a opositora do candidato apoiado por Lula. Mas tem quem ache que o nome Bolsonaro não é o problema. É um nível de cegueira que nenhum argumento consegue alcançar
Thomas Conti retweeted
Terminamos de analisar os logs de urna do próprio TSE. (resultado das 06:40)
Para cada seção, contamos quantos votos entraram depois das 17h e quantos desses eleitores foram habilitados sem biometria. Os logs são públicos e qualquer pessoa pode conferir.
Analisamos os logs de 497.895 de 497.897 seções do Brasil (sem o exterior); as 2 restantes não têm log no site do TSE. Em seções onde a urna foi trocada durante o dia, lemos só o log da última urna; por isso 0,1% dos votos não entram na conta.
Resultado: 0,03% dos votos foram registrados depois das 17h (34.330 votos). Desses, 15,9% foram sem biometria (5.469 votos), contra 12,4% antes das 17h.
Atenção ao comparar: a hora acima é a do registro do voto, e a habilitação sem biometria demora mais (em média 67 s, contra 29 s com biometria). Por isso, parte de quem foi identificado antes das 17h só votou depois. Pela hora em que o eleitor foi identificado, 13,1% dos votos após 17h foram sem biometria (3.359 de 25.676), contra 12,4% antes das 17h.
Estados com maior fatia de votos depois das 17h: RO (0,06% dos votos após 17h, 9,4% deles sem biometria); DF (0,05% dos votos após 17h, 11,6% deles sem biometria); RR (0,05% dos votos após 17h, 11,0% deles sem biometria).
5.244 seções tiveram votos sem biometria registrados depois das 17h (3.195 pela hora da identificação) e foram sinalizadas, para comparar o resultado delas com o das demais.
Zero surpresa com Flávio não reconhecendo resultado. Lembrem, discurso de urnas fraudadas foi invenção do Jair pós-2018. Jair <ganhou> e passou o governo alegando fraude porque não levou no 1° turno. Imagina perdendo. Flávio enterrou qualquer dúvida, anti-democracia é de família.
Thomas Conti retweeted
Flávio Bolsonaro perde por 4,4 milhões de votos e não reconhece a derrota.
Só confirma por que, assim como o pai, não pode ser eleito. O DNA golpista é a maior marca da família.
Autópsia da defunta campanha da direita, baseada na mais pura opinião pessoal:
- Jair nomear Flávio como sucessor para garantir alguém que o tirasse da cadeia foi o erro maior da campanha. Arriscou que o sobrenome carregaria um nome fraco, sob pena de ficar sem presidente algum. Era evidente que Tarcísio era um candidato mais forte e que conseguiria montar uma coalizão maior, mas precisaria da benção de Jair mobilizando o eleitorado cativo dele. Deu no que deu.
- Flávio começou sua campanha corrigindo os erros maiores que a campanha derrotada de Jair cometeu em 22. Não criticou as urnas, não criticou vacina, não insistiu em falar de armas de fogo. São três temas que não tem apoio da maioria dos brasileiros, mas que o pai não conseguia largar. Mais que isso, evitou até usar demais da imagem do pai. Provavelmente sabia que quem se importava com isso já era voto no bolso dele, e não queria trazer para ele a rejeição mais alta que o pai tem.
- Resultado do 1º turno mostrando um resultado para Flávio muito melhor que as pesquisas indicavam, e elegendo toda a direita para o legislativo, subiu à cabeça. Ficaram extremamente confiantes na vitória. Não dá para culpá-los tanto por isso, afinal uma virada eleitoral entre 1º e 2º turno nunca tinha acontecido. Mas prudência é bom.
- Após o 1º turno essa confiança mudou parte do tom da campanha. Marçal ganhou mais espaço. Aparece hostilizando indecisos, dispensando e ofendendo eleitores de Renan Santos. Muito, muito ruim. Isso é clima de "já ganhou" total. Estão concorrendo com alguém que já foi presidente três vezes e acham que podem dispensar 3 milhões de votos??? Isso é puro ego e burrice. E não ofende só o pessoal do Missão, não, porque muitos indecisos também viram isso. Se fazem pouco caso de 3 milhões de pessoas imagina o espectador independente que só tem 1 voto para depositar?
- Nem uma semana depois do 1º turno, Flávio grava vídeo prometendo que quem passará a faixa presidencial para ele será o próprio pai. Aqui fica claro o clima de "já ganhou", e que o poder subiu à cabeça. Quem deveria passar a faixa é o atual presidente, não o pai - que, aliás, fugiu do país e não se dignou a passar a faixa. Até as tradições do país estão abaixo dos interesses particulares da família?
- O primeiro debate presidencial focado em atacar sem parar com ofensas. Vestiu a roupa, o estilo e a profundidade de conteúdo de Marçal. Como não participou de debates no 1º turno, aquela foi a primeira impressão de muita gente sobre quem era Flávio Bolsonaro. E não foi boa.
- Mudanças de pauta. Flávio passou o 2º turno copiando ideias e pautas ruins de Lula, ou criando novas ideias ruins dele, como o calote nas dívidas bancárias. Em parte, faz sentido essa estratégia. Se as propostas forem muito parecidas a eleição vira sobre quem você gostaria que tocasse aquelas propostas, e Flávio estava confiante que ele ganharia nesse embate. De novo, ego. Talvez para alguns eleitores ele tenha passado a imagem de falso e seria melhor bancar alguma das decisões históricas dele, para marcar uma mudança com a situação atual.
- Vídeo do Nikolas sobre o nordeste. Não me parece que tenha pego bem. Reforçou estereótipos diversos, especialmente o de se julgarem salvadores da região mesmo sem terem nada a mostrar nesse sentido. Os vazamentos da gravação depois pegaram muito mal.
- Crimes, mais crimes, e ainda mais suspeitas de crimes. A quantidade de esqueletos no armário que apareceram sobre Flávio nessas poucas semanas foi muito impressionante. Praticamente todo dia aparecia um novo vínculo suspeito, uma transação não-explicada. Ser o candidato novo e que deveria passar a imagem de mudança, mas não conseguir peitar de frente o PT no quesito corrupção, é um fracasso incrível. Mas 100% previsível para quem sabia um pouquinho que seja do histórico dele. Obs: TODOS os políticos com nome grande na direita sabiam desde o começo desse histórico sujo do Flávio, para eles não foi surpresa alguma.
- Histórico pouco presidenciável. Difícil pensar que um candidato à presidente vai ter que se explicar por que votou contra licença maternidade. Ou por que foi a favor de tirar a marcação de munições. No contexto dessa eleição, ele também começou falando contra o fim da escala 6x1 e terminou apoiando no discurso. Começa com cortar R$200 bi e termina sem conseguir dizer nada que vai cortar de fato, só gastos a serem ampliados. A imagem que passa é de um oportunista.
- O 2º debate e o caráter pessoal. Usar os 9 dedos de Lula como ofensa foi algo muito natural para o Flávio, esse tipo de piada é refresco nos círculos da direita. Ele só esqueceu que não está falando com sua claque que votaria nele não importa o que ele faça. Para um eleitor indeciso, ver um homem adulto fazer ofensa baixa a um idoso de 80 anos que já foi presidente três vezes é uma demonstração muito ruim de caráter. Depois ele pediu desculpas e as pesquisas mostraram que esse foi o ponto mais alto de Flávio no debate, agradou os indecisos (e foi o que mais desagradou os bolsonaristas). Em seguida, chamou a mãe de Ana Clara pelo nome da filha assassinada, de novo uma demonstração muito ruim de caráter.
Em resumo, me parece que os erros da campanha da direita começaram no ego de Jair. Flávio começou sabendo bem os temas que precisava evitar para se diferenciar do pai, e foi muito acima do esperado no primeiro turno. O ego inflou e ele mostrou mais de quem ele é.
A maioria dos brasileiros indecisos não gostou do que viu. Dos 14 milhões de votos totais a mais depositados no 2º turno, 10 milhões foram para Lula.
Considerando que agora Flávio quer contestar o resultado das urnas, a visão negativa que a maioria dos brasileiros formou dele se mostrou correta em tempo recorde.
Brasil não perdoou a família que tentou dar um golpe de estado.
Estados Unidos não fez isso, premiaram Trump com um retorno à Casa Branca. Por lá estão há 2 anos colhendo o pão que o diabo amassou com um governo insanamente vingativo e corrupto.
Jair Bolsonaro seguirá preso.

















