Até o governo trabalhista britânico descobriu que a burocracia custa caro
Na sexta-feira, 23 de outubro, o governo do Reino Unido anunciou um pacote para reduzir a burocracia e os custos de importação das empresas. Brasília deveria ler essa notícia com atenção.
Segundo o Tesouro britânico, as empresas devem economizar cerca de 800 milhões de libras por ano, algo como R$ 5,4 bilhões pelo câmbio do dia. Uma das medidas simplifica os relatórios empresariais, com economia de até 290 milhões de libras por ano. Outra prorroga a suspensão de tarifas sobre mais de 250 produtos importados, na maioria dos casos até 2028. O governo também quer reduzir em 25% a carga administrativa da regulação até o fim da legislatura. Isso equivale a 280 milhões de horas de trabalho por ano.
O secretário de Negócios, Jonathan Reynolds, resumiu bem: um padeiro deveria estar fazendo salgados, e não preenchendo formulários.
O anúncio veio de um governo trabalhista, de centro-esquerda. Londres está cortando o custo do Estado para quem produz. Enquanto isso, o Brasil segue acumulando obrigações e complexidade, e quem empreende paga a conta.
Na agricultura conhecemos bem essa realidade. O produtor lida com exigências ambientais, trabalhistas, fiscais e administrativas que muitas vezes se sobrepõem. São horas e recursos que poderiam ir para a produção, a inovação e o investimento.
As regras que protegem as pessoas e o meio ambiente devem continuar. O que precisa sair são as exigências inúteis, duplicadas e desproporcionais.
A burocracia funciona como um imposto silencioso. Ela não aparece na guia de recolhimento, e quem trabalha e produz a paga todos os dias.
Os trabalhistas britânicos entenderam algo que muitos governantes brasileiros ainda resistem a aceitar.
O Estado não precisa criar uma obrigação nova para mostrar serviço, e muitas vezes ajuda mais quando sai do caminho de quem produz.
Qual exigência você eliminaria primeiro na sua empresa ou na sua propriedade?
#LiberdadeEconômica #Burocracia #ReinoUnido #Agronegócio #Empreendedorismo #Competitividade
O MUNDO PREMIA QUEM DERRUBA BARREIRAS COMERCIAIS. O BRASIL AINDA DEIXA MUITAS DELAS DE PÉ.
Nesse dia 22 de outubro, em Des Moines, nos Estados Unidos, o cientista holandês Huub Lelieveld recebeu o World Food Prize de 2026, considerado o Nobel da agricultura.
O motivo da premiação merece atenção especial no Brasil. Lelieveld dedicou a vida à segurança dos alimentos e à harmonização das normas sanitárias entre países. Em 2004, fundou a Global Harmonization Initiative, que reúne mais de 1.600 especialistas voluntários em 113 países. Seu trabalho mostra que dá para proteger a saúde do consumidor sem transformar exigência sanitária em instrumento de protecionismo.
O recado do prêmio é claro: produzir alimentos é fundamental, e fazer esses alimentos chegarem ao consumidor também.
Somos uma potência agrícola. Nossos produtores investiram em tecnologia, produtividade, sanidade e qualidade, e conquistamos competitividade em soja, milho, carnes, açúcar, café e frutas. Mesmo assim, enfrentamos barreiras que nossos concorrentes já superaram.
No Japão, a coxa de frango brasileira paga tarifa de 8,5%, e outros cortes pagam 11,9%. A mesma carne vinda da União Europeia paga 3,1% e 4,3%, graças ao acordo europeu com os japoneses. A do Chile entra livre.
Na Coreia do Sul, a carne bovina brasileira ainda espera a liberação sanitária para entrar. Quando entrar, vai encontrar tarifa de 40%, enquanto a carne americana, beneficiada por acordo de livre-comércio, já chegou à tarifa zero.
A qualidade do produto brasileiro é a mesma. O que muda é o acesso ao mercado, e esse acesso é construído pela diplomacia comercial.
Também não podemos confundir acordo de cotas com livre-comércio. O acordo entre Mercosul e União Europeia levou 26 anos para entrar em vigor e, para as carnes, entrega cotas pequenas, divididas entre quatro países. São 99 mil toneladas de carne bovina por ano, com tarifa de 7,5%, para um bloco que exporta milhões de toneladas.
O governo precisa transformar negociação em resultado, acelerar a abertura de mercados e pôr a competitividade do produtor no centro da política externa. Reunião internacional e discurso sobre combate à fome não embarcam um contêiner. Abrir mercado exige negociar tarifa, derrubar obstáculo injustificado e cobrar reciprocidade.
Eu sei que, em negociação comercial, a sanidade muitas vezes vira pretexto para proteger o produtor do outro lado. A melhor resposta sempre foi ciência, credibilidade e presença na mesa onde as regras são escritas.
O mundo acaba de premiar quem derruba barreiras com ciência.
O agro brasileiro já fez a sua parte. Falta o Brasil fazer a dele.
#Agronegócio #ComércioExterior #WorldFoodPrize #SegurançaAlimentar #AcordosComerciais #Exportação #LiberdadeEconômica
O Brasil já é o segundo maior fornecedor de petróleo da China e ainda importa o diesel dos tratores.
Abreu e Lima, Comperj, Premium I e Premium II eram quatro refinarias prometidas. O que se entregou foram contratos fraudados, propina e R$ 43 bilhões de prejuízo reconhecidos pelo TCU. O dinheiro do povo foi desviado e o que sobrou ficou enterrado em terraplanagem abandonada.
A conta chegou ao campo. Sem refino, o enxofre do adubo veio de fora e custou mais que o dobro. O produtor rural pagou pelo roubo que outros cometeram.
Corrupção mata empregos, encarece o alimento e rouba o futuro de quem produz. O Brasil sabe tirar petróleo do fundo do mar, e já passou da hora de tirar os corruptos do caminho.
#Corrupção #Petrobras #LavaJato #Agro #ProdutorRural #Fertilizantes #DinheiroPúblico #Brasil
O BRASIL CRIOU UMA TECNOLOGIA QUE ECONOMIZA US$ 28 BILHÕES POR SAFRA. O GOVERNO VAI TRIBUTÁ-LA.
Bactérias que capturam o nitrogênio do ar e o entregam à soja substituem, no Brasil, boa parte do adubo nitrogenado industrial. Cerca de 85% da área de soja do país usa essa tecnologia a cada safra.
Pelos cálculos da Embrapa, divulgados em agosto pela agência de notícias do próprio governo federal, a fixação biológica de nitrogênio gerou economia de aproximadamente US$ 29 bilhões e evitou a emissão de cerca de 280 milhões de toneladas de CO2 equivalente. É como tirar 60 milhões de carros de circulação por um ano.
Sim, você não leu errado. Fica a pergunta: qual outro país está retirando o equivalente a 60 milhões de carros de passeio de circulação por ano?
É uma revolução científica brasileira, construída ao longo de décadas por pesquisadores, empresas e produtores. Uma das principais responsáveis é Mariangela Hungria, da Embrapa, vencedora do World Food Prize de 2025, considerado o Nobel da agricultura. Nesta semana, ela voltou a apresentar esses resultados no Borlaug Dialogue, nos Estados Unidos.
O mundo premia a inovação brasileira. O nosso sistema tributário se prepara para cobrá-la.
A Lei Complementar 214/2025, que regulamenta a reforma tributária, colocou inoculantes, bioestimulantes e matérias-primas de biofertilizantes entre os insumos sujeitos ao IBS e à CBS, com redução de 60% das alíquotas. Hoje, os inoculantes têm alíquota zero de PIS e Cofins. Se a alíquota padrão ficar em 27%, passarão a pagar 10,8%. O produtor que fatura até R$ 3,6 milhões por ano e fica fora do novo regime não recupera esse imposto em crédito. Para ele, vira custo.
Resumindo, não pagava e com a reforma vai passar a pagar impostos!
O governo discursa sobre sustentabilidade e tributa a tecnologia que mais reduz emissões no campo. Fala em diminuir a dependência externa e taxa o produto que substitui o fertilizante importado. Diz defender a inovação e complica a vida de um setor em que o Brasil conquistou liderança mundial.
Ninguém está pedindo privilégio para empresas ou menos fiscalização. Bioinsumo precisa de pesquisa, controle de qualidade e eficácia comprovada. Uma tecnologia que reduz custos, evita emissões, diminui importações e aumenta a competitividade merece tratamento tributário à altura desses benefícios. O Congresso pôs a cesta básica na alíquota zero e pode fazer o mesmo com os bioinsumos.
Eu sei quanto tempo uma tecnologia leva para sair do laboratório e chegar à lavoura. Nossos cientistas desenvolvem, nossos empresários investem e nossos agricultores assumem o risco. Quando a inovação dá certo, o Estado aparece para cobrar a sua parte.
A ciência brasileira já mostrou que é possível produzir mais e emitir menos.
Falta a política tributária acompanhar.
#Agronegócio #Embrapa #Bioinsumos #ReformaTributária #Inovação #Sustentabilidade #LiberdadeEconômica
"...faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.”
II Tm 4:5
Dias destes lí uma entrevista de Bill Condon, diretor do festejado “A Bela e a Fera”.
Não só porque ele teve uma pequena iniciativa de mudar o roteiro original da Disney, fazendo com que um de seus personagens tenha tendência gay, mas por causa de suas declarações abertamente anticristãs.
Diz a entrevista:
“Após um dia de trabalho meu desejo é entrar em um hotel e imediatamente começar a arrancar as páginas da Bíblia. Mas parece que a maioria dos hotéis não tem mais Bíblia nos quartos hoje em dia.”
Bem Bill, tenha duas péssimas noticias para você.
Aqui em Anaheim, cidade da Disney, ainda há Gideões fiéis, apaixonados pela Palavra e cumpridores da sua missão:
A segunda é que este Livro não é uma invenção ou oriunda de fábulas ou lendas como o seu filme.
Ela é a resposta certa para os desejos mais íntimos do coração humano e o consolo mais certo na aflição.
Algo que o seu filme nunca terá.
E você arranca as páginas porque tem medo. Finge que não concorda ou que não é capaz de entender este livro de mais de dois mil anos.
Mas a questão é muito simples.
No momento em que você ler e compreender, você estará obrigado a agir em conformidade com ela, a ter um compromisso com as Boas Novas.
Algo que você ainda não experimentou, mas que os Gideões de Anaheim conhecem, e melhor, praticam!
POUSANDO NO VERDE
Na aproximação para o pouso em Recife, olhem a quantidade de verde pela janela: morros cobertos de Mata Atlântica, bairros encaixados entre as árvores e rios contornados por manguezais.
Essa paisagem mostra um Brasil que quase nunca aparece nas narrativas divulgadas mundo afora. Poucos países podem dizer que suas grandes cidades convivem com tanta floresta.
Segundo a Embrapa, cerca de 66% do território brasileiro é ocupado por vegetação nativa. Esse dado merece tanta visibilidade quanto as críticas que recebemos.
Produzimos alimentos para o mundo e conservamos a natureza. Podemos nos orgulhar das duas coisas e devemos fortalecer esse compromisso.
O mundo precisa conhecer também o Brasil que conserva.
#Brasil #Recife #Pernambuco #MataAtlântica #Agro #MeioAmbiente
O agro brasileiro sabe que as decisões tomadas em Brasília podem afetar tanto o campo quanto o clima.
Em artigo publicado pela Global Farmer Network, nos Estados Unidos, analiso os resultados eleitorais nas principais regiões agropecuárias do Brasil e o que eles revelam sobre o momento político do país.
Também recupero uma lição da abertura econômica dos anos 1990: quando o produtor tem liberdade para investir, inovar e competir, os resultados aparecem.
Mas a liberdade econômica não se defende sozinha. É preciso participar do debate público.
O produtor rural não pode olhar apenas para a lavoura. Precisa olhar também para as urnas.
globalfarmernetwork.org/blog…
#AgroBrasileiro #LiberdadeEconômica #Agronegócio #Eleições2026
HAYEK ESTAVA CERTO. E O BRASIL TERÁ UM TESTE NO DOMINGO.
Quem prevê melhor o futuro: os especialistas ou o conhecimento de milhares de pessoas reunidas num mercado?
Um estudo publicado nesta semana na PNAS, uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo, analisou cerca de um milhão de previsões feitas em quatro plataformas, Polymarket, Kalshi, Manifold e Metaculus, em doze áreas, de negócios e eleições a geopolítica.
O resultado impressiona. Quando um acontecimento recebia 70% de probabilidade, ele ocorria em cerca de 70% dos casos semelhantes. As plataformas erram em eventos isolados, mas conseguem transformar informações dispersas em estimativas de probabilidade surpreendentemente bem calibradas.
Isso me fez lembrar de Friedrich Hayek, Nobel de Economia de 1974. No artigo "O uso do conhecimento na sociedade", de 1945, ele mostrou o que os defensores do planejamento central costumam ignorar: o conhecimento necessário para decidir está espalhado pela sociedade. Está com o agricultor que conhece a sua terra, com o comerciante que conhece os seus clientes, com o empresário que enxerga uma oportunidade. O mercado é um mecanismo capaz de coordenar esse conhecimento disperso.
O produtor rural conhece bem essa lógica. Os preços futuros da soja, negociados na B3 ou em Chicago, incorporam continuamente expectativas sobre clima, safra, câmbio e demanda da China. Informações dispersas pelo mundo inteiro acabam refletidas numa cotação que muda a cada instante.
Quando o Estado tenta substituir os preços de mercado por decisões administrativas, corre o risco de trocar o conhecimento disperso de milhões de pessoas pelas informações limitadas de alguns burocratas.
E temos um exemplo acontecendo agora no Brasil. No domingo, os brasileiros escolhem o próximo presidente. Enquanto as pesquisas medem a intenção de voto, plataformas como Polymarket e Kalshi negociam contratos cujo valor depende de quem vai vencer.
Nas cotações registradas nesta sexta-feira e reproduzidas na imagem, os mercados atribuíam cerca de 79% de probabilidade de vitória a Flávio Bolsonaro, contra 21% a 22% para Lula. O número mede a chance de vitória, sem relação direta com a fatia de votos. E 79% ainda deixa espaço para uma derrota.
O interessante é o mecanismo. Em vez de depender da opinião de uma autoridade, ele reúne a avaliação de pessoas diferentes, que interpretam pesquisas e fatos de formas distintas. E, nos mercados que envolvem dinheiro real, quem erra pode pagar por isso do próprio bolso.
Hayek não conheceu a internet, o Polymarket ou o Kalshi, mas entendeu há mais de 80 anos o princípio que ajuda a explicar seu funcionamento. Nenhuma pessoa tem todo o conhecimento. Nenhum governo conhece todas as circunstâncias. Nenhum planejador substitui integralmente a informação produzida por milhões de decisões individuais.
No domingo, teremos um teste interessante das expectativas que os mercados expressam hoje.
Seja qual for o vencedor, a lição econômica permanece.
O conhecimento está espalhado pela sociedade. A arrogância começa quando alguém acredita que pode concentrá-lo todo no Estado.
Fonte: PNAS — doi.org/10.1073/pnas.2615627…
#LiberdadeEconômica #FriedrichHayek #InteligênciaColetiva #MercadosDePrevisão #Eleições2026 #Agronegócio
NOS ESTADOS UNIDOS, O GOVERNO BANCA O AGRICULTOR. NO BRASIL, O GOVERNO ENCARECE A VIDA DE QUEM PRODUZ!
Segundo a revista Farm Journal, o governo americano prevê US$ 47 bilhões em pagamentos diretos aos agricultores em 2026. Com mais US$ 8 bilhões anunciados nesta semana, a conta pode chegar a US$ 55 bilhões.
É o equivalente a R$ 820 milhões por dia!
Sim, é um cheque desse tamanho indo todo dia para os agricultores americanos!
Quase um terço da renda monetária líquida prevista para o campo americano.
Enquanto isso, o produtor brasileiro enfrenta juros exorbitantes, infraestrutura precária e seguro rural insuficiente.
E o contraste é ainda maior: os americanos incentivam os biocombustíveis para fortalecer sua agricultura. O Brasil subsidia combustíveis fósseis, inclusive importados.
Não precisamos copiar os subsídios americanos. Precisamos parar de penalizar quem produz no Brasil.
Porque nosso agricultor não enfrenta apenas a concorrência americana. Enfrenta também os bilhões do Tesouro dos Estados Unidos.
#Agro #EUA #subsídio #protecionismo
Tem gente que escreve no papel. O produtor escreve no campo.
Do alto, dá para ler o que o campo pensa.
Cada linha foi traçada por quem acorda antes do sol, enfrenta o clima, o crédito caro e a insegurança jurídica. E, ainda assim, coloca comida na mesa do Brasil e do mundo.
Plantado, adubado e assinado.
Pesquisa de campo. Literalmente. 🚜🇧🇷
#Agro #Brasil #ProdutorRural #Agronegócio
SUSTENTABILIDADE PARA O AGRO BRASILEIRO. PRAGMATISMO PARA O GÁS BRITÂNICO.
A Europa acaba de mostrar como o discurso ambiental muda quando estão em jogo os seus próprios interesses.
Nesta quarta-feira, 21 de outubro, o governo trabalhista do Reino Unido autorizou a produção de gás no campo de Jackdaw, no Mar do Norte. É o mesmo partido que chegou ao poder em 2024 prometendo não abrir novas frentes de exploração.
O primeiro-ministro Andy Burnham chamou a decisão de pragmática e fez uma declaração que merece ser conhecida no Brasil:
“Mesmo em nossa ambiciosa trajetória climática, continuaremos precisando de petróleo e gás para atender às nossas necessidades energéticas durante décadas.”
Quem disse isso foi o chefe de um governo comprometido com a neutralidade de carbono até 2050. Quando em plena operação, Jackdaw responderá por cerca de 6% da produção de gás do Mar do Norte. E o governo anunciou um fundo bilionário para a transição energética, alimentado pelas receitas do petróleo e do gás. A riqueza dos fósseis vai financiar a mudança.
É uma decisão legítima. Energia segura e barata sustenta empregos, indústria e um custo de vida suportável. Com a guerra no Irã pressionando os preços e protestos se espalhando pela Europa, nenhum governo sério deixa de explorar o que tem.
O problema é que esse pragmatismo desaparece quando o assunto é o agro brasileiro.
Pela lei antidesmatamento da União Europeia, soja, café, carne, couro, madeira e cacau precisam provar a origem lote a lote. São exigências que alcançam produtores brasileiros a milhares de quilômetros do consumidor europeu.
Combater o desmatamento é legítimo. Mas a régua deveria ser a mesma. No gás britânico, entram na conta a segurança energética, os empregos e a transição gradual. No agro brasileiro, só entram as exigências e os controles.
E o Brasil tem argumentos que a Europa não tem. Mantemos mais de 66% do território com vegetação nativa. O Código Florestal obriga o produtor a preservar de 20% a 80% da própria fazenda, às suas custas, algo que nenhum agricultor europeu precisa fazer. Construímos uma das maiores indústrias de biocombustíveis do mundo, com etanol de cana e de milho, biodiesel e biomassa. O produtor brasileiro participa da transição energética há décadas, sem deixar de alimentar o país e o mundo.
O Reino Unido tem todo o direito de produzir o seu gás. Deveria apenas reconhecer que o Brasil também precisa conciliar produção, preservação e desenvolvimento.
Quando a Europa explora gás, chama de segurança energética. Quando o Brasil produz alimentos, chama de ameaça ao planeta.
Se a transição exige realismo no Mar do Norte, o mesmo realismo vale para as fazendas brasileiras.
#Agronegócio #Sustentabilidade #Energia #Biocombustíveis #ComércioInternacional #SegurançaEnergética
O Brasil já gasta mais de R$ 1 trilhão por ano apenas com juros da dívida pública — mais do que o dobro de todo o Plano Safra.
Para o agro, isso não é uma discussão distante de Brasília. Juros altos significam crédito mais caro para plantar, comprar máquinas, irrigar, armazenar e investir.
Depois, o próprio governo tenta compensar parte do estrago oferecendo crédito subsidiado. É como provocar o incêndio e aparecer com um balde.
Responsabilidade fiscal também é política agrícola.
#Agro #Agronegócio #DívidaPública #Juros #PlanoSafra #Economia #ResponsabilidadeFiscal
90 MIL NORMAS POR ANO: O SOCIALISMO TRIBUTÁRIO EM ESCALA INDUSTRIAL
O capitalismo exige investimento, trabalho, inovação e disposição para correr riscos. O socialismo tributário exige apenas que alguém produza para o Estado arrecadar.
O governo não precisa estatizar uma empresa para controlar parte crescente da riqueza que ela gera. Basta tributar seus resultados, regular suas decisões e encarecer sua operação.
O gráfico mostra a segunda metade dessa engrenagem. Em 2019, o governo federal editou cerca de 64 mil normas, entre leis, decretos, portarias e medidas provisórias. Em 2025, foram 90 mil, um aumento de 41%. Mudam os governos e o discurso, e a máquina de fazer regras segue no mesmo ritmo.
São quase 250 normas por dia, contando fins de semana e feriados. Só na área tributária, desde 1988, o país edita em média 2,36 normas por hora útil.
Nenhum produtor rural, comerciante ou contador consegue acompanhar isso. A regra muda antes que o contribuinte entenda a anterior. Cada norma cobra seu preço em advogado, sistema refeito, multa por erro inevitável e investimento adiado. A grande empresa tem departamento jurídico. O pequeno produtor tem a própria coragem.
O empresário investe o patrimônio. O agricultor enfrenta seca, praga e preço em queda. O empreendedor assume dívidas e contrata gente. O Estado arrecada de qualquer jeito: quando a empresa prospera, fica com parte do resultado; quando ela quebra, o prejuízo é de quem arriscou.
E o mesmo Estado que dificulta a vida de quem produz distribui subsídios e privilégios a grupos escolhidos pelo poder político. Assim se alimenta o capitalismo de compadrio, em que vale mais conquistar autoridades do que conquistar clientes. Quem paga é o contribuinte.
O Brasil nem sabe medir o tamanho do problema. Nos Estados Unidos, o projeto RegData, da Universidade George Mason, mede ano a ano o volume da regulação federal. Aqui não existe nada parecido.
Um país sério teria metas para revogar normas, avaliação de impacto antes de cada nova regra e revisão periódica das antigas. Teria regras poucas, claras e iguais para todos, para que qualquer pessoa pudesse empreender sem pedir favor a Brasília.
O socialismo tributário tem uma vantagem conveniente para quem governa: preserva a propriedade privada no papel. O cidadão continua dono, assume todos os riscos, e o Estado amplia sua participação nos resultados.
O Brasil precisa de menos donos da riqueza alheia e de mais liberdade para quem a produz.
#LiberdadeEconômica #SegurançaJurídica #Tributação #Burocracia #Empreendedorismo #Brasil
Quando o governo deixou de decidir o que o agricultor podia vender
Durante décadas, o produtor brasileiro enfrentava o clima, as pragas e o mercado. E precisava ainda de autorização do governo para vender parte do que colhia. O Estado controlava exportações, restringia importações, fixava preços e mantinha monopólios em cadeias inteiras. A burocracia mandava mais no comércio do que quem produzia.
Em 2005, a OCDE publicou uma revisão completa das políticas agrícolas brasileiras. Na página 114, o diagnóstico do passado:
"As políticas comerciais brasileiras anteriores aos anos 1990 criaram uma ampla gama de distorções na alocação de recursos, dentro e fora da agricultura, e isolaram o setor dos mercados e investimentos internacionais."
E logo em seguida: "Nos dois primeiros anos do governo Collor, 1990 e 1991, a maior parte dos controles comerciais foi eliminada."
Como ministro da Agricultura naquele período, participei dessa mudança. Extinguimos o Instituto do Açúcar e do Álcool e o Instituto Brasileiro do Café. Acabou o monopólio estatal do trigo. Sobre o café, a OCDE registra na página 74 que foi "uma ruptura histórica, depois de mais de seis décadas de controle estatal do setor".
Junto com as instituições, caía uma concepção econômica. O produtor deixava de depender da permissão do Estado para produzir, vender e competir.
Os resultados aparecem no próprio relatório. Na página 129: a abertura comercial veio junto com uma ampla desregulamentação dos mercados internos, e essas reformas criaram incentivos "mais compatíveis com a vantagem comparativa do país". O setor "ajustou-se rapidamente aos novos incentivos, com respostas na escala e na composição da produção e do comércio".
A produtividade total dos fatores subiu 40% entre 1990 e 2004. E a OCDE fez uma constatação que desmonta o medo da concorrência: os produtos que passaram a disputar mercado com importados, como trigo e leite, foram os que mais ganharam produtividade. Milho e algodão, antes importados, viraram exportação.
Tudo isso com pouquíssimo subsídio. Em 2002-04, o apoio ao produtor brasileiro equivalia a 3% da receita das fazendas. Na média da OCDE, 30%.
O governo não precisava escolher quais culturas deveriam prosperar, quais empresas poderiam exportar ou quais regiões mereciam proteção. Bastava deixar que os produtores descobrissem, pela concorrência, onde o Brasil era de fato competitivo.
A abertura não resolveu tudo. O Plano Real, a infraestrutura, o crédito e a pesquisa agrícola foram decisivos. Mas uma barreira enorme havia caído.
O agro brasileiro virou potência quando o Estado parou de controlar as decisões de quem produz. Essa lição continua atual.
Fonte: OCDE (2005), OECD Review of Agricultural Policies: Brazil, páginas 9, 12, 74, 114 e 129. Tradução livre.
#LiberdadeEconômica #AberturaEconômica #Agro #OCDE
Não basta investir em educação. É preciso permitir que o conhecimento se transforme em prosperidade!
Gravei este vídeo na Argélia para mostrar uma realidade que também deveria preocupar o Brasil.
Podemos formar excelentes profissionais, investir em universidades e desenvolver talentos. Mas de que adianta tudo isso se a burocracia, os impostos e as barreiras ao empreendedorismo impedem essas pessoas de prosperar?
O Nobel de Economia Theodore W. Schultz já demonstrava a importância do capital humano. E estudos posteriores indicam que a liberdade econômica amplia os retornos da educação.
Educação desenvolve talentos. Liberdade econômica permite que eles floresçam.
Porque não basta ensinar as pessoas a sonhar. É preciso permitir que elas construam!
#LiberdadeEconômica #Educação #Argélia #Brasil #Empreendedorismo #CapitalHumano #Produtividade
O BRASIL PRODUZ ETANOL. SINGAPURA CRIA O MERCADO.
Singapura, que praticamente não produz cana ou milho, realizou o maior abastecimento marítimo de etanol do mundo: 6,3 milhões de litros!
Enquanto outros países abrem mercados para os biocombustíveis, o Brasil gasta bilhões subsidiando combustíveis fósseis.
Temos a matéria-prima e a tecnologia. Falta transformar essa vantagem em oportunidades.
#Etanol #Biocombustíveis #Agronegócio #BandNewsTV
R$ 6,5 BILHÕES. A PROMESSA É DO GOVERNO. A CONTA É DO CONTRIBUINTE.
O governo federal publicou hoje, a quatro dias do segundo turno, a Medida Provisória nº 1.397, que abre um crédito extraordinário de quase R$ 6,5 bilhões dentro do chamado Plano Brasil Soberano.
A Constituição reserva o crédito extraordinário para despesas imprevisíveis e urgentes, como guerra, comoção interna ou calamidade pública. É a porta de emergência do orçamento.
O Plano Brasil Soberano foi criado no ano passado. Um programa com mais de um ano de existência não tem nada de imprevisível. Se o governo queria ampliá-lo, havia o caminho normal: um projeto de lei de crédito, discutido e votado pelo Congresso. Preferiu a medida provisória, que vale no mesmo dia e dispensa o debate.
Qual emergência surgiu justamente agora, na reta final da eleição? O governo precisa explicar.
Isso torna a disputa desigual. De um lado, quem está no poder usa a caneta, o Diário Oficial e o cofre público para anunciar bilhões na semana da votação. Do outro, o adversário só tem o discurso. Quando o orçamento entra na campanha, o eleitor deixa de escolher entre propostas e passa a escolher entre quem pode gastar o dinheiro de todos e quem não pode.
O próprio Supremo já derrubou créditos extraordinários usados para despesas comuns. A regra existe para impedir que a exceção vire rotina e que o orçamento seja administrado por decreto.
Pacote apressado, com data marcada pelo calendário eleitoral, não resolve isso. Antes de liberar o dinheiro, o governo deve demonstrar a urgência, a finalidade e a transparência da operação.
Quem promete leva os aplausos. O contribuinte paga a conta, tenha votado ou não no governante. É assim que se alimenta uma das maiores distorções da democracia: benefícios concentrados, custos espalhados pela sociedade e governantes que esquecem de onde vem o dinheiro.
O brasileiro trabalha, produz, investe, paga impostos e enfrenta juros altos. Não pode ser tratado como caixa eletrônico do poder político.
O que é urgente para um governo em campanha nem sempre é uma emergência para a República.
A Constituição não é formalidade, o orçamento não pertence ao presidente e o dinheiro público não é do partido que ocupa o poder.
O contribuinte não pode continuar sendo o último a saber e o primeiro a pagar.
#Orçamento #ResponsabilidadeFiscal #Eleições2026 #DinheiroPúblico #Exportação #SegurançaJurídica #Brasil
O agro brasileiro compete com o mundo, mas precisa enfrentar obstáculos criados dentro do próprio país.
Nos EUA, a legislação conhece safra e entressafra.
A redução da jornada de trabalho traz um desafio especialmente grande para quem depende do calendário da natureza. Plantio, colheita, transporte e armazenagem não obedecem ao relógio de Brasília.
A verdadeira conquista para o trabalhador é ganhar mais porque a economia se tornou mais produtiva.
Precisamos de condições para investir, inovar e gerar riqueza, não apenas de novas obrigações.
A tecnologia é nossa aliada. O atraso é que custa caro!
#Agronegócio #Produtividade #Tecnologia #LiberdadeEconômica #BandNewsTV
EXPORTAMOS PETRÓLEO. IMPORTAMOS AS CONSEQUÊNCIAS.
O Brasil acaba de ultrapassar a Arábia Saudita e se tornar o segundo maior fornecedor de petróleo bruto da China, atrás apenas da Rússia. Foram 44,29 milhões de toneladas nos primeiros nove meses de 2026.
É mérito do pré-sal e da competência de quem produz em águas profundas. A notícia, porém, expõe uma contradição vergonhosa: exportamos petróleo bruto e continuamos importando derivados. A China fica com o refino, os empregos e o valor agregado.
Essa história tem quatro nomes: Abreu e Lima, Comperj, Premium I e Premium II.
Para quem tem memória curta, dando o nome aos bois, foi aqui que nasceu a Lava Jato.
Eram projetos para transformar o Brasil numa potência do refino. Viraram símbolos de corrupção, desperdício e incompetência na gestão estatal. Segundo o Tribunal de Contas da União, as falhas nesses empreendimentos podem ter causado R$ 43 bilhões em prejuízos. O plano previa ampliar a capacidade nacional de refino em cerca de 1,2 milhão de barris por dia. Na época da auditoria, só 100 mil barris diários haviam sido acrescentados.
Abreu e Lima, orçada em cerca de US$ 2,4 bilhões, passou de US$ 18 bilhões e ficou marcada por sobrepreço. O Comperj consumiu bilhões sem entregar a refinaria prometida. Premium I e Premium II tiveram pedra fundamental, terraplenagem e discursos, e foram canceladas sem produzir um único barril. O dinheiro que deveria construir refinarias pagou propina, sobrepreço e campanhas políticas.
Essa conta não termina na bomba de combustível. Ela chega à lavoura.
O refino de petróleo permite recuperar enxofre, matéria-prima do ácido sulfúrico, essencial para fabricar fertilizantes fosfatados, base da adubação da soja e do milho. Segundo a Abiquim, 92% do enxofre consumido no Brasil é importado.
Em 2026, com a guerra no Oriente Médio e a disputa global por insumos, o preço do enxofre subiu 140% entre janeiro e maio. As importações brasileiras caíram mais da metade, fábricas de fertilizantes ameaçaram parar e o fosfato encareceu às vésperas do plantio.
Nem toda refinaria produz enxofre na mesma proporção, e nenhuma delas acabaria sozinha com a dependência. Mas um parque de refino maior e moderno reduziria nossa vulnerabilidade justamente quando o mundo entra em crise.
Exportamos petróleo bruto. Importamos derivados. Importamos enxofre. E dependemos desse enxofre para fabricar os fertilizantes que produzem os alimentos que vendemos ao mundo.
O Brasil precisa de liberdade econômica, concorrência, segurança jurídica e investimento privado no refino, e de menos obras faraônicas comandadas pela política.
Os escândalos das refinarias continuam presentes na capacidade industrial que deixamos de construir. Agora, com a crise do enxofre, a conta também chegou ao produtor rural.
#Petróleo #Agronegócio #Fertilizantes #LiberdadeEconômica #Petrobras #Brasil










