O economista Daron Acemoglu, professor do MIT e Nobel de Economia em 2024, afirma que a eleição brasileira é provavelmente a mais importante do ano fora dos EUA. Para ele, uma volta da família Bolsonaro ao poder, com Flávio, equivaleria à reeleição de Donald Trump em 2024, um voto de protesto contra o sistema político, e seria "má notícia para o Brasil e para o mundo em desenvolvimento".
Acemoglu também critica o PT, que, segundo ele, ficou marcado por escândalos de corrupção, não fez a limpeza no atual mandato e não construiu um projeto que unisse os trabalhadores. Ele classifica o governo de Jair Bolsonaro como um desastre e vê Lula como alternativa melhor que Flávio, mas avalia que o país está desperdiçando uma oportunidade.
A crítica se apoia em seu novo livro, lançado há poucas semanas nos EUA e no Reino Unido, ainda sem tradução, que propõe um “liberalismo da classe trabalhadora”. A democracia, argumenta, só mantém apoio popular se entregar prosperidade compartilhada, bons serviços públicos e governo transparente, e a corrupção corrói esse apoio, sobretudo na América Latina.
O economista acusa as grandes empresas de tecnologia de concentrar poder e querer controlar a informação, o que vai contra a democracia liberal. Cerca de 6 bilhões de pessoas fora de EUA, Europa e China não têm voz sobre os rumos da inteligência artificial, e ele defende que o Brasil lidere os países em desenvolvimento nessa discussão.
Acemoglu vê elemento de bolha nos investimentos em IA: um estudo citado por ele calcula que as receitas do setor teriam de chegar a 10% do PIB dos EUA até 2032 para remunerar o que já foi e ainda será investido. Para o Brasil, aponta que a demanda por commodities deve continuar, já que a IA depende de construção e de chips.
A dívida externa brasileira cresceu 27,4% no governo Lula, acima da alta de 15,8% das reservas internacionais, e o país voltou a dever ao resto do mundo mais do que tem a receber, o que não acontecia havia 19 anos. Somando setor público, bancos e empresas, a dívida chegou a US$ 407,1 bilhões em junho, maior nível em 40 anos de série do Banco Central, contra US$ 402 bilhões em reservas e créditos no exterior.
Descontadas as reservas e os créditos no exterior, sobra um saldo devedor de US$ 5,1 bilhões, menos de 0,3% do PIB. De 2007 a 2025, essa conta ficou no campo credor. A alta da dívida veio de investidores que buscaram diversificar fora dos EUA, enquanto as reservas foram contidas por intervenções do BC e pela valorização do real. Analistas veem a dívida líquida perto de US$ 30 bilhões em dois anos, longe dos mais de US$ 70 bilhões de duas décadas atrás.
O déficit nas transações com o exterior, que somam comércio, serviços e rendas, chegou a US$ 67,4 bilhões em 2025, mais que o dobro dos US$ 27 bilhões de 2023, com peso de gastos com streaming, criptoativos e pagamento de dívidas. O investimento estrangeiro direto ainda cobre o rombo, mas a sobra caiu de mais de US$ 38 bilhões em 2023 para US$ 17,6 bilhões em 2025.
Bancos e empresas respondem por 73% da dívida externa, e muitos têm receitas em dólar. A fatia pública é formada sobretudo por títulos em reais nas mãos de estrangeiros, e a dívida do governo em moeda estrangeira, de R$ 348 bilhões, é menos de 4% do total da dívida pública federal.
Fitch e Moody’s seguem vendo as contas externas como ponto forte, e apontam o desequilíbrio fiscal como o principal risco. A Fitch lembra o estresse do fim de 2024, quando o BC fez a maior intervenção no câmbio desde a adoção do regime flutuante, e cobra um plano fiscal crível do próximo governo. A Moody’s mantém o Brasil a um degrau do grau de investimento, e Fitch e S&P, a dois.
O Banco Inter vai comprar os 39,75% que a Wiz Co detém na Inter Seguros, corretora de seguros do banco, por R$ 409,5 milhões, e passará a ter 100% da empresa. O pagamento será à vista, corrigido pelo CDI de 2 de outubro até o fechamento, sem parcelas atreladas a desempenho futuro. O negócio, anunciado nesta segunda-feira (19), depende de aval do Banco Central e do Cade.
A Wiz entrou na Inter Seguros em 2019, quando pagou R$ 114 milhões por 40% da empresa. O valor da venda é 3,6 vezes o investimento e equivale a 28% do valor de mercado da Wiz, de R$ 1,45 bilhão. As ações da corretora subiram 3,06% no dia, a R$ 9,09. Do lado do comprador, a ação do Inter cai 18,63% no ano na Nasdaq, onde o banco vale US$ 3,05 bilhões.
A participação fazia parte do esforço da Wiz para reduzir a dependência da Caixa, depois do fim de uma exclusividade de quase 50 anos com o banco estatal. Para compensar a perda da principal fonte de receita, a empresa fez 19 aquisições e mais de 20 parcerias, com bancos como BRB e BMG e empresas como Caoa e Polishop.
Desde 2023, a Wiz prioriza margens e uma estrutura mais enxuta, e a dívida líquida caiu de 2,5 vezes para 0,5 vez a geração de caixa anual. O CEO Lucas Neves, no cargo desde o início do ano, quer ampliar a área de seguros com instituições financeiras ainda pouco presentes no segmento. Os R$ 409,5 milhões ficarão em caixa até nova decisão da administração.
A Ânima fechou contrato de R$ 150 milhões com o Einstein para que o hospital preste consultoria aos 15 cursos de medicina da Inspirali, braço de educação médica do grupo, com 1,9 mil vagas. O acordo, apresentado na segunda-feira (19), também dá à Ânima o direito de usar a marca Einstein por 20 anos, renováveis por igual período.
Na primeira edição do Enamed, exame que avalia a graduação em medicina, com resultados divulgados em fevereiro, cerca de 60% dos cursos privados tiveram desempenho insatisfatório. Entre os abertos por decisão judicial, que ampliaram a concorrência no setor, o índice chegou a 70%, e a Ânima tem cursos nessas condições. Os mal avaliados ficam impedidos de matricular novos alunos e de oferecer vagas pelo Fies e pelo ProUni.
Segundo Maurício Escobar, presidente da Inspirali, a empresa já tem dificuldade para preencher turmas em algumas cidades. A aposta é que a marca ajude a ocupar as vagas ociosas e a cobrar mensalidades mais altas, com posicionamento de curso premium. O Einstein mantém há dez anos um curso próprio de medicina, mas a companhia não espera concorrência direta com ele.
O pagamento será feito em duas parcelas: R$ 75 milhões na assinatura e o restante em até um ano, corrigido pela inflação oficial (IPCA). Com a primeira parcela, a relação entre a dívida e a geração de caixa da Ânima sobe de 2,41 para 2,47 vezes.
O Einstein também receberá, a cada trimestre, 6% da receita líquida dos novos alunos matriculados a partir da assinatura. Entre 2027 e 2036, se essa comissão ficar abaixo de um valor de referência anual, que vai de R$ 26 milhões no primeiro ano a R$ 136,3 milhões no último, a Ânima pagará uma remuneração adicional, condicionada ao cumprimento de metas.



